quarta-feira, 23 de novembro de 2011

É... Isso!

Amor é...
Isso!
Tal de inguiço
Misturado com
Feitiço

É...
Isso!
Crédito
Com muitas juras
Na pracinha

É telefone
Sem fio
Mas é...
Isso!
Presença

Amor é...
Isso!
Trisso
De
Cotovia...
Que canta lá
De longe...

E vem com-o
Vento
Pro coração
Do alisso!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

História de Museu

Quero montar
meu roteiro
com história

Quero visitar história sem roteiro
por inteiros inversos
cabíveis num cômodo

Sem incômodo
quero beirar o antecessor
excedente sucessor do primo
ao passo
da guerreira

Quero ver o brilho do mar
aos domingos
e traçar o caminho das águas
pelo vento do tempo
como naus a içar
velas

Do nanquim ao óleo
nas telas
quando a primavera escutar
a escultura da favela
[será]
flores sem marcas

Piso (s)em marcha

Quero a natureza concretar

Quero instinto em museus
(extinto?)

Quero cheiro de cedro
de pau d´arco
quero zumbido
pássaro colorido
céu laranja
mar vermelho
bico de arara

Quero terra

Uma rota
não rota

Quero construir paredes
com migalhas de barro
e teto de vidro:

Uma história montada
à cavalo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A coberta

Estendida assim
Não se sabe ao certo
Ou ao erro
O que lhe guarda
Só se sabe
O que lhe dobra:
As mãos do homem

Pois já se fecham
Cobertos
Os olhos
E as pernas
Do que se deita
Em seus lençóis

E as soleiras
Das portas
Dos restos andantes
Ansiantes
Se deixam
Descobertas

As camas
Das amas
E amantes
Já delirantes
Aquecem e enternecem
Os limos dos colchões

E o melhor da coberta
É o peso que desperta
Além da quentura
Pois a desventura
Do segredo
Dorme no abrigo
Da colcha

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vaidade

Vá, idade:

Afastar-se de mim

Livrar-me do peso

Da responsabilidade

Dessa cidade

Aos espelhos
Dos lagos
E afagos

Do veio
Ao Sul

Viajar no ombro amigo

Surfar distante
Rival-idade fustigante

Vá, idade:

Que é meio adolescer

Isso de correr atrás do tempo

Buscar beleza
[em vento...

Belezidade
Eterneza

Vaidade
De me ser

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nova primavera

Quando tudo foi desfeita
Meu coração se apertou
Cavucou uma boa sombra
E desolado descansou

À procura de uma abrigo
Mas ao lindo som de Chico
Eu no embalo do vinho
Defumei o impudico

Com seu seio sipe leve
O quero-querer bem veio
E quedou o ano inteiro

O Quero-quero a voar
Vem na nova primavera
Meu amor-flor reabrotar

domingo, 11 de setembro de 2011

Vendo tudo

A pergunta sobre o que já se sabia
Fez pergunta estandarte
Estendeu as dúvidas no varal do pensamento
E ficou ao sol
De onde as pessoas talvez já não mais sejam fontes ou sonhos

Talvez eu, então, fique na dúvida se esse amor é ódio ou ode ao ego

Anacreonte ou cético
Se quero dançar no vento, tento acordar
Deslizar contento
Nem que seja no mercado

Agora os limites da incerteza variam o sujeito
E predicadamente verbalizam o tudo

Pois se vender alma é vender ética
Sobretudo, inafiançavelmente
Descabaço a verdade

[Vendando tudo]

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lado bom

Insisto em cavitar

Levantar poeiras
E, Pollyannamente
Buscar tesouros

Céu aberto
Em temporáis

Lapidar brutais
Enxergando diamantes

Descobrir sorriso
Em ironia

E tenho mesmo essa mania
De lado bom...

Em tudo!

sábado, 27 de agosto de 2011

Conexão

Não que algum tipo de nexo eu vá exigí-la...
O que eu quero mesmo é sentí-la.

Abrigar parte de mim em um mundo que inda não visitei...
Visitar parte de um mundo que em mim inda não abriguei.

E que a poesia desse estado possa se tornar (c)oração!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

Plágio Assumido

Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Explicar o que se vê

Parece paradoxal, e é.
Por isso insisto em colocá-las aqui, essas fotos; vezes gritantes e vezes mudas.
Pois apesar desse terreno ser "das palavras", carrega em si a amplitude (literal ou não) de simples imagens.
Pois cada vez mais ouço minha intuição:
Percebo, inexoravelmente, o quanto podemos calar e escutar a explicação para o que vemos - esse post, mera exceção.

E, mesmo contraditoriamente, continuarei plantando foto-grafias no horto.
Assim creio que minha expressão pode ser mais plural (e resistente) do que jardins suspensos...

terça-feira, 5 de julho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O homem do violão III

Dessa vez o homem era quase um anjo.
Em vez de violão, parecia exalar som de harpa.
Sua paz continuava a me encantar, mas agora aos pés da cama.
Sim, sentia que ao dormir e acordar o tinha ao meu lado.
Uma vigília saudável, companheira e abençoada.

O homem do violão, apesar do silêncio, tinha propagado ondas de vento, que para mim é amor.
E aquele som aos meus ouvidos era como um ninar.
Acalento, portanto, devia ser seu nome artístico.
Espécie de cócegas no coração de qualquer ser; ou de qualquer estar.
Inda mais naquele de quem se perde apaixonado por um instrumento de cordas...

É também amar sua arte?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Futuro

Vezes sinto saudade do futuro...
Tempo que inda não veio.

Saudade de uma cama grande e macia
Coberta com lençóis de amor...

Saudade de um Cabernet encorpado em plena quarta-feira...
De receber uma massagem depois do trabalho...
De cozinhar eventualmente, por prazer...

Saudade de abrir e fechar as trancas da minha casa!

Futuro, doce futuro...

sábado, 28 de maio de 2011

Cansaço

Cansada de escrever poema, a menina foi passear.
Encontrou no meio do caminho umas palavras secas e umas pedras soltas.
Percebeu o sol como frase feita e continuou.
Viu o passarinho voar e descobriu que seu lar não era o ninho!
De repente, a menina ouviu o vento passar.
Entendeu a natureza falando e decidiu escrever.
O cansaço era só capricho...
E o capricho, vento misturado com vez de silêncio!

domingo, 22 de maio de 2011

O horto

Quando o horto não mais dá flores
Inda há se de esperar o dia do desabrochar
Mesmo com o terreno fofo
Mesmo com a terra cansada

P.S. Resta mudar o plano de fundo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Abolição?

Que mais poderia eu criar hoje, se o reflexo dos anos passados inda mantém seus ombros de preconceitos atados?
Que mais deveria eu, como parte do retrato lido e calado da nossa nação-mundo, gritar neste céu-véu imundo?
Que não, pois, de Santa alguma é este dia...
Não tivesse sido um homem vão estebelecendo um dito tão sem valia!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Imaginar

Quando poderia imaginar
Tanto amor deixar fluir
Ou tantas páginas ortografar

Seria sonho essa busca
Se não fosse vi(n)da
Pois só bem viria me encontrar

E só de inspirar
Perco os sentidos
Pelo prazer de assim estar

Paixão que dura pelos cantos
Fazedura de acalantos
Pelos tempos do meu imaginar

domingo, 1 de maio de 2011

Dito

Para aqueles que me dizem
Dito in situ e infame
Falarem ao próximo
Ao verso
Falada a falta
Ditame

Para aqueles que me dizem
Digo alto às seis
Pela oração
E oralidade
Desertando ditado
Abraço amarra o freguês

Para aqueles que me dizem
Em Ártico
Com o gelo do sorriso
Que sem som
Sombreia o dizer
O zigomático

Para aqueles que me dizem
Que digam o que negam
Que sejam o que destróem
Corretos e discretos
Que banquem o que são:
Silêncio

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Manias

Encaminho seus ditos
Como como vento

Uso amor no ouvir
E saber das manias encanta

Como canto de amigo
Que sabe dos mitos
E das verdades
Me sinto rua para o seu passar

De passo lento a calçar
Cal em cores
À transparência das manias
Suas e minhas

terça-feira, 19 de abril de 2011

A estória do chumaço

O chumaço veio d'América.
Era quase firme, se o ar fosse sólido.
Por entre suas vias iam o vento, ocupando um espaço seco e leve.
Os meninos da relva gritavam, queriam vê-lo, pegá-lo; não sabiam o que lhes era cabido.
As princesas admiravam-no, escondidas.
As anciãs ficavam de riso solto, pregando mistério e incitando curiosidade.
Tudo ia girando, girando e crescendo.
De repente, todos dançavam!
A música os ensinava que o açúcar era o que havia de mais doce.
E foi aquele algodão colorido - e doce - que os divertiu durante uma noite inteira...

Filme

A fita do tempo rodando meu senso;
os olhos do amanhã na tela da vida;
Como num passe de mágica veio o filme!
Mas o final ainda não foi feliz...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Atual(mente)

Vontade de atualizar me so(o)u obsoleta,

Um tanto quanto romântico demais, pra quem gosta do pós-moderno.

Abdicarei, portanto, do meu semblante monogâmico para recrutar um amante -

Sim, um amante daqueles com quem bem divido segredos e primeiros de tempo.

Estancarei o que irriga meu passado e jorrarei futuro (pois creio é no amor de amantes!).

O sangue que me aquece será de festim,
De um vermelho vívido, estonteantemente musicado em minhas veias;
Zona particular de plena satisfação.
Assim, sim, eu poderei falar da selva, da pedra preciosa, do recôndito que me rejuvenesce:

O de sempre.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Desencanto

... e desfez-se o encanto!
O passarinho, que a fazia chorar baixinho, voou!
A arara azul esmorecera, como a sua eternidade...
E num dia longo, de tempo sem fim, quem sabe, aquela ilusão renasça em inglês.
Pois, enfim, o encanto se desfez!

quarta-feira, 30 de março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

O homem do violão II

O homem do violão agora está saudade...
Num longe arpoado; mais perto ainda do vento.
Na verdade, eu que fui arpoada.
Lembro-me de uma primeira faísca lançada em meu peito.
Espécie de varanda dos sonhos; onde o inconsciente passeia, encosta e acaba deitando na rede.
Fiz versinho quando bem-te-vi pra (en)cantá-lo, mas no contexto virei beija-flor, ou melhor, quero-quero.
Vesti manto de cerrado e hoje sou desbocada, com intimidades descobertas; não uso o silêncio como arte*.
Se sou quero-quero, de certo tenho bem-querer.
Portanto hoje canto nesse que me toca:
O homem do violão.

*Referências Àquele que - pelas próprias palavras - reverdecia; e - segundo Guimarães Rosa - era dono de uma poesia comparada a doce de coco: Manoel de Barros.

terça-feira, 22 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Gratidão

O amor se veste bem de gratidão
Desarma abrigos
Desabotoa as roupas
Desfaz amarras
Enche o peito de louvor

Se enfeitar de gratidão
- maquilagem que escapa à vista
É disfarçar defeitos e colorir corações

É marcar os dias com fortes presenças
Sombrear o futuro de doçuras
Realçar as maçãs das manhãs
É brilhar os lábios com sorrisos
E exalar tentações

Assim, meu brio adverte:
Não há pintura de amor
Sem traços de gratidão

quinta-feira, 10 de março de 2011

Na Cidade de Pedra

No meio do caminho da Cidade de Pedra tinha uma flor
- Flash!
Tinha uma flor no meio do caminho da Cidade de Pedra
- Flash!
Tinha mais uma flor
- Flash!
No meio do caminho tinha uma flor

Eu as fotografei todas
E sempre me lembrarei de tais flores
Por entre meus caminhos
Cheios de pedras e espinhos
Nunca esquecerei de tantos amores

Sempre me lembrarei que no meio do caminho 
Na Cidade de Pedra
Tinha uma flor
- Flash!
Tinha uma flor no meio do caminho da Cidade de Pedra
- Flash!
No meio do caminho das pedras...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poetizar no Rio

Imensidão de anil
que de triste não tem nada...

Só o blue
de uma poesia
de quintal...

E o vento escutava tudo
bem de perto
em beleza uníssona...

Tempo bom
de som de Farol
com palavra de Arpoador!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Outras lembranças

Queria outras palavras
Queria outras histórias
Mas só me vêm estas memórias

Queria outras músicas
Outra dança
Queria outros passos
Diferentes compassos
Mas só sou essa criança

Queria outros dias
Outras melodias
Dança
Dança
Queria músicas vazias

Queria outros
Outros arranjos
Outros batuques
Queria outros tempos
Não queria truques

Queria outros ritmos
Acompanhamentos
Diferentes batidas
Outra audição
Eu queria era outro coração

Queria esperanças
Queria outros intentos
Não queria lamentos
Queria harmonia
E nessa dança só me vêm outras lembranças

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Maré

A rima
Que constrói o verso
Descontinua o eco
Da mente...

E a caminho do sol
O fonema fica rente
Vindo que nem onda
Na beira do mar...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desfaz

Incrível como uma fala desfaz uma ida
Desfaz uma vinda
Desfaz um vida

Como uma fala desfaz o perverso
Desfaz o inverso
E desfaz um verso

Parafraseando

Parafraseando um bom amor que há em mim
Fico em vão ou não pensando sem fim
Fico a léguas sem tréguas
Fico doida de tanto doída
Sem saber se a sapiência da despedida
É somente um espinho em meu jardim

Então continuo pensando sem fim...

Frenético

Ao caso do compasso decompassado em casa com chuva de presente mansa que amansa o ganso de remanso e descanso de casco com o casado do mineiro desprovido de inteiro sem metade nem verdade meia nem teia tenente imprudente sem dente ou sente sentido caído de prancha calado moído mofado tirado em tiras de mentiras materiais ou matérias energéticas sob a fonética do cerrado cercando o senado do país num frênulo cético e poético por um luzir frenético.

Desculpas

Desculpas para aqueles que não acreditam em destino...
Desculpas para aqueles que não acreditam em alma...
Desculpas para aqueles que inda não sabem que os anjos também erram...
Desculpas para aqueles que inda não urgem nem rugem de fome...
Pois tenho fome de destino.
Tenho surtos de vida.
Meus fâneros são de energia.
E só a força do amor pra, um dia
Competir com a minha comida.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Oro pouco
Meu religare é a natureza
Mas quando tudo é brasa
Viro um eclipse
Sento na minha clareira e broto
Encosto nas asas do tempo e assobio
Visto uma lagarta e engulo borboletas
Meu coração vai ritmando uma benção pluvial
E, então, - sublime - desnaturo Deus

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Brincadeira

Queria brincar com o tempo
Talvez jogá-lo pra cima
Escorrê-lo pelas mãos
Como faço com a areia da praia

Brincar com o tempo
Pedalando-o sem pressa
Com os braços abertos
Sob um vento atemporal

Queria brincar com o tempo
De esconde-esconde
Fechar os olhos
E contar até um segredo

Queria brincar com o tempo
Num sentido furtacor
Com cheiro de manga rosa na primavera
Assim como ele brinca comigo

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Risco

Passa o passo
Passo o lápis
A passagem
A pegada passada
O passado

Passa o piso
Pego o riso
Passo a vez
E passado o perigo
Verso o risco

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A esmo

Nesses dias sem nexo
Sem nada
Ando solta
Querendo o complexo
De certo, manca
Buscando madrugada
Em meio ao vento
No relento
Tomando chuva
E sendo a trovoada

E é nesses dias sem nexo
Sem nada
Que espero um intento
Ou uma caçoada
Que me limpe os olhos
E me seja risada
Para nascer em frutos
Brotos e brutos
Uns idos minutos
De quem me encontro perdida
E me passe o tempo com uma piada

Pois nesses dias sem nexo
E, bem, sem nada mesmo
Prefiro calar ao invés de falar
Quase refletir ao invés de dormir
Em vez de planear
Pra me autoviajar
Prefiro estar a esmo
Mas fugir como presa
Sem pressa do destino
Ou dos pés do meu sesmo

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quando

Quando você esquece, acha.
Quando você lembra, sorri.
Quando você pensa, saúda.
Quando você olha, crê.
Quando você encosta, imerge.
Quando você acorda, sonha.
Quando você anda, levita.
Quando você chama, canta.
Quando você tem, é.
Quando você sente, escreve.
Quando você diz, vive.
Sem onde nem quando, você.
Mas quando eu, você.
E quando nós, amor. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Para Neruda

Ao endireitar minhas leituras fico flácida.
Entendo entretida e intrépida o louvor dos versos seus.
Para sempre serei toda ouvidos, alma e olhos do coração; para sempre estancarei, sem tanto sucesso, as inúmeras lágrimas que me caem do olhar ao fazer-te em mim.
Ao experimentar tua poesia em meu eu inundo meu quarto de um triste mundo.
Invento retalhos para suas linhas e passo a assinar tudo que me vestir de nudez.
Ao tiritar pensamentos alcanço as mesmas estrelas escuras que vivem entre seu universo e seu chão.
Desperto e sibilo o ar que inda reservo nos pulmões do meu amor, cantando-te num silêncio anil.